Mensagens falsas: SMS de banco a pedir clique num link suspeito, com anzol de phishing

Segurança na internet: como se prevenir das burlas mais comuns

Segurança na internet · Guia prático

Não é preciso perceber de informática para estar seguro online. A maioria das burlas não ataca computadores ataca pessoas com pressa. Este guia explica, em linguagem simples, o que anda mesmo a acontecer em Portugal, como reconhecer o perigo e o que fazer.

A regra que evita quase tudo

Quase todas as burlas precisam que faças uma coisa depressa e sem pensar: clicar, pagar ou dar um código. Guarda esta ideia: urgência é sinal de alarme. Se uma mensagem mete medo (“a sua conta vai ser bloqueada”) ou pressa (“última tentativa de entrega”), pára.

Um banco, os CTT ou as Finanças não perdem nada se confirmares dois minutos depois. Um burlão perde tudo. Não uses o link da mensagem: vai tu à app do banco ou escreve o site oficial no navegador. Se for verdade, a informação está lá.

As burlas mais comuns

1. Mensagens falsas phishing, smishing e vishing

São a mesma coisa com nomes diferentes: alguém finge ser uma entidade de confiança para te sacar dados. Por email chama-se phishing; por SMS, smishing; por telefone, vishing. As queixas de phishing subiram mais de 40% num só ano é o problema número um.

SMS falsa de banco a pedir clique num link suspeito, com um anzol ao lado
O endereço é a pista: pequenas diferenças como “bancoxyz-pt.com” denunciam a burla.

Os disfarces preferidos são sempre os mesmos: o teu banco, as Finanças, uma encomenda parada ou uma multa. O objetivo é levar-te a uma página igual à verdadeira, onde escreves os teus dados e ficam com eles.

2. Burlas com MB WAY

A PSP tem alertado repetidamente para isto, sobretudo em vendas online (OLX, Facebook Marketplace). O “comprador” mostra muito interesse, diz que paga por MB WAY e depois pede-te para introduzires números ou códigos numa caixa Multibanco.

Teclado de caixa Multibanco a pedir código, com sinal de proibido
Para receber dinheiro nunca se introduzem códigos. Se pedem códigos, estás a pagar.
  • Quem recebe não faz nada. Se te pedem para inserir códigos, estás a autorizar um pagamento teu.
  • Cuidado com a transferência inesperada: recebes dinheiro que não esperavas e logo alguém (normalmente por WhatsApp) pede para devolveres. Não devolvas por iniciativa própria, liga ao banco e explica.

3. A chamada do “funcionário do banco”

Recebes uma chamada, às vezes depois de uma SMS, e do outro lado está alguém calmo e profissional. Diz que a tua conta está em risco e que é preciso “proteger o dinheiro”. Sabe o teu nome e até o teu banco. Pede códigos ou que instales uma aplicação para “ajudar”.

Chamada de alguém que se diz do banco a pedir o código recebido por SMS
Desliga e liga tu para o número do cartão ou do site oficial.

Nenhum banco pede códigos, palavras-passe ou instalação de programas por telefone. Nunca. Se acontecer, é burla.

4. Compras e negócios bons demais

Lojas que aparecem do nada com tudo a 70%, telemóveis a metade do preço, investimentos com “lucro garantido”. Se é demasiado bom para ser verdade, normalmente não é. Antes de comprar: procura o nome da loja no Google com a palavra “opinião” ou “burla”, vê se tem contactos reais, e paga por meios que permitam reclamar.

Como perceber que uma mensagem é falsa

  • Cria urgência ou medo, bloqueios, dívidas, encomendas paradas.
  • Pede dados que a entidade já tem. O teu banco não precisa que lhe digas o teu NIB.
  • O endereço é estranho. Lê o link com calma antes de clicar.
  • Erros de português ou frases traduzidas, embora já haja burlas bem escritas.
  • Pede pagamento por vias invulgares: transferência para um particular, criptomoedas ou vales.

Cinco hábitos que protegem a sério

Escudo com cadeado, verificação em duas etapas e cópias de segurança
Poucos hábitos, bem feitos, valem mais do que qualquer antivírus.
  1. Ativa a verificação em duas etapas no email e nas redes sociais. Mesmo que te roubem a palavra-passe, não entram.
  2. Não repitas palavras-passe. Se uma for descoberta, abre todas as outras portas. Um gestor de palavras-passe trata disso por ti.
  3. Atualiza o telemóvel e o computador. As atualizações fecham as brechas usadas pelos atacantes.
  4. Faz cópias de segurança. Fotografias e documentos em dois sítios é a única defesa real contra perder tudo.
  5. Desconfia de anexos e de apps fora das lojas oficiais. Instalar programas a pedido de alguém ao telefone é entregar a chave de casa.

Já caí. E agora?

Acontece a muita gente, incluindo a pessoas informadas e atentas. O que conta é a rapidez:

Quatro passos: ligar ao banco, mudar palavras-passe, guardar provas, apresentar queixa
Nos primeiros minutos ainda é possível travar transferências.
  1. Liga imediatamente ao banco e pede o cancelamento ou estorno.
  2. Muda as palavras-passe a do email primeiro, porque é a que recupera todas as outras.
  3. Guarda tudo: mensagens, números, comprovativos e capturas de ecrã.
  4. Apresenta queixa na PSP, GNR ou Polícia Judiciária Cibercrime.
  5. Avisa quem te é próximo. Se te apanharam a ti, a mesma mensagem está a chegar a eles.

Em resumo

Segurança não é ter medo da internet é ter dois ou três reflexos. Desconfia da pressa. Confirma pelo canal oficial. Nunca partilhes códigos. E se algo correr mal, age depressa e sem vergonha nenhuma: quem devia tê-la é quem engana.

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