Processo · Decisão técnica
Quando comecei este portefólio, a primeira decisão não foi de design, foi de arquitetura. Escolhi um tema FSE (Full Site Editing). Explico o que isso significa, porque decidi assim e o que ganhei e perdi com essa escolha.
O que é ?
Durante anos, um tema WordPress era um conjunto de ficheiros PHP. Para mudar o cabeçalho, editava-se header.php; para mudar um espaçamento, procurava-se no CSS. O conteúdo era editável, a estrutura não.
Num tema FSE, tudo é bloco: o cabeçalho, o rodapé, os modelos de página, o menu. Tudo se edita no Editor do Site, no mesmo sítio onde se escreve o conteúdo.

Porque escolhi este caminho
1. Autonomia para editar. Um portefólio vive em constante ajuste: um projeto novo, um título afinado, uma secção que muda de sítio. Com FSE, faço-o em minutos, sem abrir um editor de código nem arriscar partir alguma coisa.
2. Consistência garantida. As cores, tipos de letra e espaçamentos vivem num único lugar (o theme.json e os Estilos Globais). Mudo o azul da marca num sítio, muda em todo o site. É o que evita aquele efeito de site “remendado”.

3. Menos dependências. Muito do que antes exigia um construtor de páginas (Elementor, Divi) já é nativo. Menos plugins significa menos peso, menos atualizações a gerir e menos superfície de ataque.
4. É o futuro do WordPress. É a direção oficial do projeto. Construir aqui é apostar naquilo que vai continuar a ser suportado.
O que muda na prática

- Cabeçalho e rodapé passam a ser template parts: altero uma vez, aplica-se em todas as páginas.
- Modelos (artigo, arquivo, pesquisa) editam-se visualmente, sem ficheiros PHP.
- Padrões guardam secções inteiras prontas a reutilizar.
- Paleta e tipografia ficam centralizadas e coerentes por omissão.
O que não é perfeito
Seria desonesto vender isto como solução para tudo. O FSE ainda tem arestas: alguns temas comerciais misturam CSS antigo com blocos, o que obriga a intervenções pontuais; certos ajustes finos continuam a pedir CSS; e a curva de aprendizagem do Editor do Site é real, a interface muda de versão para versão.
Neste projeto, por exemplo, mantive um plugin próprio para o formulário de contacto, o aviso RGPD e alguns detalhes visuais. O FSE resolve a estrutura, a lógica específica continua a ser código e ainda bem.
Conclusão
Escolhi FSE porque queria um site que consigo manter sozinho, coerente por construção e sem depender de camadas que envelhecem mal. E porque um portefólio de quem trabalha com web também deve demonstrar domínio do fluxo nativo da ferramenta, não apenas o resultado final.



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