Processo · Identidade visual
Um logótipo bonito não faz uma marca. O que faz uma marca é o sistema à volta dele: as cores, os tipos de letra, o espaço, o tom das frases e a disciplina de os repetir. Foi esse o caminho deste portefólio.
Começa num símbolo
O ponto de partida foi o monograma TD: simples, legível em tamanhos pequenos e reconhecível como ícone de navegador ou avatar. Uma assinatura completa serve para contextos institucionais, o monograma serve para o resto.
Mas assim que o símbolo existe, começam as perguntas verdadeiras: que cor tem o fundo? Que tipo de letra acompanha? Como se comporta num botão? É aí que um logótipo se transforma em sistema.

As regras que dão coerência
A paleta assenta numa base escura, noir, que cria profundidade e deixa o resto respirar. Sobre ela, azul elétrico e roxo comunicam tecnologia; o dourado entra como pontuação, para dar valor e assinatura; o ciano marca sinais técnicos e dados.
A tipografia divide funções com clareza: Manrope nos títulos, pela presença geométrica; DM Sans no texto e na interface, por ser simples de ler. Uma família não compete com a outra, cada uma tem o seu papel.

Esta última parte é a que mais se ignora: a proporção. O dourado só funciona porque é raro. Se estivesse em todo o lado, deixava de significar alguma coisa e o site parecia uma montra, não um portefólio.
Do manual para o ecrã
Um manual de marca só vale se sobreviver à implementação. Neste site, as decisões passam para o WordPress através dos estilos globais: a paleta e as fontes ficam definidas num único sítio e todos os blocos as herdam.
- Botões e ligações partilham a mesma cor de ação e o mesmo comportamento ao passar o rato.
- Títulos e texto seguem uma escala definida, em vez de tamanhos escolhidos à vez.
- Cartões e secções repetem os mesmos raios de canto, contrastes e espaçamentos.
- Imagens mantêm um registo escuro e cinematográfico, com um ponto focal claro.
O resultado é o que distingue um site com identidade de um template genérico: nada parece decidido ao acaso, porque não foi.
Coerência antes de decoração
Houve escolhas que recusei precisamente por coerência, efeitos que ficavam giros isolados mas partiam o ritmo do conjunto, ou acentos que roubavam atenção ao trabalho apresentado. Num portefólio, a estética serve o conteúdo. Quando compete com ele, está errada.
É por isso que o sistema tem regras escritas: para haver um critério a que voltar quando surge a tentação de acrescentar mais uma cor, mais um tipo de letra, mais um efeito.



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